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Uma Comparação Intercultural das Práticas de Recrutamento de Empresas Multinacionais no México e nos Estados Unidos



Eileen Daspro


Palavras-chave: Recrutamento, Discriminação, Multinacionais, Cultura, Instituições


O Estudo: O artigo investiga se multinacionais dos Estados Unidos mantêm práticas de recrutamento não discriminatórias ao atuarem no México, analisando como fatores culturais, legais e institucionais moldam suas decisões em contextos internacionais. Foram examinados 900 anúncios de emprego publicados em um portal binacional, permitindo a comparação entre multinacionais recrutando em seu país de origem, as mesmas empresas recrutando no México e companhias mexicanas atuando localmente. Cada anúncio recebeu pontuação com base na presença de critérios discriminatórios relacionados à idade, gênero, aparência física, estado civil, tipo de instituição educacional e condição socioeconômica. A pesquisa busca compreender até que ponto códigos éticos e diretrizes de igualdade de oportunidades são ou não mantidos quando empresas operam em ambientes onde normas legais e expectativas sociais diferem profundamente das vigentes nos EUA.


Principais Resultados: Os achados indicam diferenças substanciais entre os três contextos analisados. As multinacionais nos Estados Unidos praticamente não exibem conteúdo discriminatório, refletindo uma legislação rigorosa e forte fiscalização institucional. No México, essas empresas relaxam parcialmente tais padrões, exibindo níveis mais altos de discriminação do que nos EUA, embora menores do que os observados entre empresas mexicanas, que apresentaram a maior incidência de critérios discriminatórios, sobretudo relacionados à idade, gênero e aparência física. Esses padrões refletem características do mercado de trabalho mexicano, no qual práticas discriminatórias são culturalmente toleradas e juridicamente pouco fiscalizadas. O estudo demonstra que multinacionais norte-americanas adotam uma postura híbrida, preservando parte de seus padrões éticos de origem, mas adaptando-se ao ambiente institucional local.


Implicações Práticas: O estudo evidencia que políticas corporativas de igualdade e diversidade não garantem, por si sós, a ausência de discriminação em operações internacionais. A atuação das subsidiárias é sensível à força do aparato legal local e às normas culturais predominantes. Assim, empresas multinacionais devem fortalecer mecanismos globais de compliance, desenvolver programas de formação intercultural e criar estruturas de monitoramento capazes de assegurar que seus princípios éticos sejam mantidos independentemente do país de operação. Os resultados reforçam a necessidade de atenção contínua às diferenças institucionais e culturais que influenciam comportamentos organizacionais em escala global.


Referência: Daspro, E. (2009). A Cross-Cultural Comparison of Multinational Firms’ Recruitment Practices in Mexico and the United States. Latin American Business Review, 10(1), 1–19.



 
 
 

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