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Bases Neurais da Regulação Emocional: Reavaliação e Supressão da Emoção Negativa


Philippe R. Goldin et al 


Palavras-chave: Emoção, Regulação Emocional, Reavaliação, Supressão, fMRI


O Estudo: O artigo investiga os mecanismos neurais subjacentes a duas estratégias contrastantes de regulação emocional: a reavaliação cognitiva, entendida como uma intervenção precoce no processo gerador da emoção, e a supressão expressiva, considerada uma estratégia comportamental que atua tardiamente. Embora teorias distinguam essas estratégias quanto ao momento e ao modo de ação, poucos estudos haviam comparado diretamente seus correlatos neurais. Por meio de fMRI, as autoras analisaram como mulheres reagiam a filmes neutros e negativos sob condições de observação, reavaliação e supressão, mensurando a experiência emocional, o comportamento facial e a atividade cerebral.


Principais Resultados: A reavaliação desencadeou respostas precoces no córtex pré-frontal, reduziu a experiência subjetiva de emoção negativa e diminuiu a ativação da amígdala e da ínsula. Já a supressão produziu respostas pré-frontais tardias e reduziu a expressão facial e a experiência emocional, mas paradoxalmente aumentou a atividade na amígdala e na ínsula. Esses achados evidenciam que as duas estratégias diferem tanto em eficácia quanto em temporalidade neural, demonstrando que a reavaliação regula a emoção por meio de modulação precoce, enquanto a supressão exige maior esforço e acarreta maior reatividade fisiológica.


Implicações Práticas: A distinção entre os mecanismos de reavaliação e de supressão tem implicações relevantes para intervenções clínicas e práticas de manejo emocional. Estratégias baseadas em reavaliação podem ser mais adaptativas ao reduzir simultaneamente a experiência subjetiva e a reatividade neural. Em contrapartida, a supressão, embora útil para controlar comportamentos observáveis, tende a aumentar o custo fisiológico e emocional. Tais evidências reforçam a importância de programas terapêuticos e educacionais que desenvolvam habilidades de reestruturação cognitiva, promovendo uma regulação emocional mais eficiente e menos desgastante.


Referência: Goldin, P. R., McRae, K., Ramel, W., & Gross, J. J. (2008). The neural bases of emotion regulation: reappraisal and suppression of negative emotion. Biological Psychiatry, 63(6), 577–586.



 
 
 

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